
A Justiça obrigou o município a assumir o local. A história se repetiu, em 2014 o canil municipal também foi interditado pelas situações precárias, entre elas, o canibalismo. Agora foi nomeada uma interventora para fiscalizar a atuação da Prefeitura de Campo Belo (MG) no “Abrigo da Duda”. Segundo informações, ainda há uma dívida na ordem de 3 mil reais contraída no nome de uma ex-colaboradora da Instituição. Refere-se a fios elétricos que desapareceram do Abrigo e a secretária terá que arcar com a dívida.
Com aproximadamente 300 cães e vivendo em condições precárias, segundo denúncias, o abrigo de cães informal (mais conhecido como “Abrigo da Duda”) foi interditado. A determinação judicial obrigou a prefeitura assumi-lo. A vigilância sanitária, a procuradora e a Polícia do Meio Ambiente compareceram ao local, notificaram a responsável sobre as medidas que serão adotadas cumprindo o despacho da juíza da 2ª Vara Cível da Comarca, dra. Vera Vasconcelos Barbosa de Alvarenga. A sentença também nomeia uma interventora, que fiscalizará a atuação da prefeitura no cuidado com os animais, visando evitar os episódios ocorridos no canil municipal em 2014. Os vídeos encaminhados à justiça mostram cenas fortes como: canibalismo; filhotes misturados com animais adultos; animais sem castração (acumulados); cães mortos e um escondido dentro de um buraco para não apanhar dos outros – não sabe-se quanto tempo ficou lá. Diante da determinação judicial – em razão das evidências apresentadas ao judiciário, o Prefeito Richard Miranda Resende, despachou a intervenção administrativa no Abrigo da Duda, sob o decreto N° 3.136 de 29 de setembro de 2015. Ao todo há no canil municipal e no Abrigo 460 animais abandonados.
De acordo com antigas integrantes da Associação que tentavam ajudar o Abrigo, a Fabiana Susa da Silva (Francesa), gosta de animais realmente, mas humanamente é impossível cuidar dos “peludinhos” como ela (Fabi) os chama, sem ajuda profissional. Os vídeos são chocantes e uma cena impressiona: um animal que estaria tentando se proteger do ataque de outro escondeu-se dentro de um buraco, ao ser retirado percebe-se que ele estava desnutrido e com dificuldades para andar.
Segundo a advogada Anna Cláudia Peixoto Moreira, ex – membro da Associação do Abrigo da Duda, várias medidas para ajudar Fabi foram propostas, todas em vão. “Queríamos organizar feiras de adoção dos filhotes e promover a educação da população em que abandonar animal é crime. Mas, a partir do momento que colocamos algumas regras, como por exemplo: que qualquer decisão seria tomada por todos da Associação, que precisávamos separar os animais por categoria; que o abrigo não era propriedade de ninguém, que era uma associação beneficente e que pertencia a sociedade, que se havia doação, também teria que existir prestação de contas das mesmas, entre outras coisas, encontramos muita resistência por parte da Fabi”, revelou a advogada.
Atualmente, a advogada tem outra visão do “Abrigo da Duda”, que, segundo ela, a sociedade desconhece. “Pela convivência, deixamos nossos sentimentos nos cegar e nos iludir. Percebendo que a Fabi não era apenas uma protetora que abdicou de sua vida pelos animais. Vivia de fato em condições desumanas e sem a menor condição de melhoria. E acabamos nos perguntando o que leva uma pessoa a viver naquelas condições? Sendo que a mesma sempre disse que sua família reside na Suíça e que vivem em ótimas condições financeiras. Onde está essa família que não tem conhecimento do drama que se tornou a vida da Fabi?!! E conversando com médicos e pessoas que já tinham anos de trabalho voluntário com animais, chegamos a conclusão que a Fabi precisava de ajuda médica, que ela poderia estar caminhando ou já era mais uma acumuladora de animais,” concluiu Anna Cláudia.
Ainda segundo ela, a Fabi precisa de assistência. “Ela não tem condições psíquicas e financeiras de cuidar e administrar a vida de centenas de animais abandonados. Assim, entramos em contato com o poder judiciário, sempre muito bem recebidos pela dra. Vera Vasconcelos Barbosa de Alvarenga, pessoa de extrema sensibilidade e que ama os animais. A magistrada percebeu de imediato que a Fabi precisava de ajuda médica e ofereceu e disponibilizou tratamento a mesma, que infelizmente recusou,” acrescentou a integrante da associação.
Além disso, Anna Cláudia esclarece que aconteceram no Abrigo fatos que precisam de esclarecimento. “Episódios nebulosos no abrigo. O empresário Alberto, arrecadou através de doações feitas por seus funcionários, mais de R$ 1.300,00 (mil trezentos reais) em dinheiro entregue nas mãos da Fabi pra compra de ração. Alguns dias depois, Fabi nos relata que havia comprado tudo de uma única vez (mais de 50 sacos de ração) e que essa ração havia sido furtada, e que a mesma não tinha nenhuma ração para alimentar os animais. Quem conhece o abrigo sabe que adentrar no mesmo não é tarefa nada fácil, além de pular um portão você tem mais de 300 animais latindo e pulando. Como alguém entraria lá sem ser notado e roubaria 50 sacos de ração? Outro fato, no mínimo interessante, é que Fabiana Silva, pessoa que a Fabi hoje tanto agride verbalmente (à época grande parceira), comprou em seu nome um “caminhão” de fios elétricos avaliados em quase três mil reais, na loja do Eustáquio, esse fio seria usado na reforma do abrigo e foi entregue nas mãos da Fabi. Logo depois, decidiram que o abrigo não iria precisar desses fios e Fabi ficou de ir pessoalmente devolver ao senhor Eustáquio, que ao saber do ocorrido, aceitou a devolução do material. Entretanto, até o momento a Fabi não devolveu os fios e não explicou o que aconteceu com os mesmos, sendo que era um “caminhão” de fios, e seria surreal o sumiço dos mesmos, ninguém sabe o que aconteceu com esses fios. Hoje Fabiana Silva está com essa dívida em seu nome. Fabi falou perante várias testemunhas, que os fios estavam em seu poder e que ela iria devolver,” relatou.
Em nota, Anna Cláudia aponta as razões pelas quais decidiram afastar-se do “Abrigo”. “Diante de tantos problemas, impossível relatar todos, decidimos não mais participar do Abrigo da Duda, tendo em vista que Fabi não aceitava ajuda para administrar o abrigo, apenas aceitava ajuda financeira. Nos afastamos durante esses três últimos meses. Entretanto, sempre tínhamos notícias do abrigo e notícias nada agradáveis. Como falta de ração por mais de três dias, ficando os animais sem alimentação. Falta de energia elétrica, sendo que foi cortada por falta de pagamento, logo sem água, tendo em vista que o Abrigo necessita de bomba elétrica para obter água do poço. Todos esses fatos chegaram ao conhecimento do poder judiciário e da administração pública, que em parceria, resolveram trabalhar juntos para o bem estar unicamente dos animais. A prefeitura com o auxílio do judiciário, retirou da responsabilidade da Fabi os animais abandonados para poder dar uma condição de vida digna aos mesmos”, comentou.
Ela garante que os animais estão desnutridos, sem vacinação, sem vermifugação e procriando dentro do Abrigo, considerando que não são castrados e vivem todos juntos. “Se a Fabi amasse verdadeiramente esses animais, como diz, ela teria agradecido tudo o que está acontecendo e continuaria a ajudar seus “Peludinhos”, como sempre fez. Só que agora sem a preocupação em arrecadar ração e dinheiro pra cuidar do abrigo. A protetora Djanira, entregou seus 100 animais aos cuidados da prefeitura e está lá cuidando dos mesmos com sempre fez, entretanto, agora ela tem auxílio de funcionários e de veterinária”, desabafou a advogada.
Anna Cláudia não é a única que acredita que a Fabi está sem condições psíquicas e financeira de cuidar dos animais. Dra Kelly Alves também já tentou ajudar, mas ao perceber que seria inútil, se afastou. “A preocupação deve ser com os animais. Do jeito que estava é impossível continuar. Sem condições de higiene (animais defecavam e urinavam na própria alimentação); rações depositadas no chão; cães misturados (doentes com saudáveis) e sem distinção a idade. Foi entregue dinheiro a ela, sem que a mesma fizesse prestação de contas. Ela precisa de assistência social, psiquiátrica. A sociedade precisa entender o que está acontecendo na realidade. A Fabi é uma acumuladora e precisa de ajuda,” completou a médica.
A francesa se defendeu. Segunda ela, a Dejanira (outra protetora) deixou de apresentar quatro prestações de contas e na época do escândalo do canil, mesmo tendo a chave, não se mobilizou. “Fechou os olhos”.
Fabiana Suza Silva (Francesa) também disse que a população canina aumentou porque uma ex-membro da Associação, a Fabiana Silva, levava cães para o abrigo. “Ela no inicio mandava os peludinhos para o abrigo”.
Fabiana Silva (Secretária) e que foi nomeada pela justiça a interventora que fiscalizará o canil, assumiu que levava cães para o abrigo, mas antes de conhecer a realidade do local e também teria ajudado financeiramente a Francesa e o abrigo. ” Levei sim, e ajudava financeiramente. Depois com a convivência, devido a constante conflito, resolvi me afastar. Ela não aceita opiniões. Não admitia a separação de animais doentes dos saudáveis. Percebi que é o contrário do que pregam. Eu penso no bem dos animais. Anna Cláudia, Ana Isabel doavam seis pacotes de ração por mês,” explicou.
Em dispositivo móvel, a juíza que interditou o Abrigo e obrigou a prefeitura assumir o local, publicou uma nota de esclarecimento.
Vídeo mostra a situação dos cães, que estavam no abrigo.
As cenas a seguir são fortes: Vídeos estão com a Polícia Ambiental. Teriam sido registradas no final de setembro de 2015.
