Vamos começar do começo: o bebê, quando está na barriga, não tem necessidade de se alimentar. Tudo que ele precisa, ele recebe através do sangue, pelo cordão umbilical. O bebê, portanto, não conhece a fome. Assim que nasce, ele irá instintivamente procurar o peito da mãe e o primeiro alimento que irá receber é o colostro, um líquido rico em elementos importantes para o desenvolvimento e proteção. O colostro é quase transparente e, por ser muito rico em carboidratos, logo sacia a fome do bebê. Entretanto, muitos bebês ficam “pendurados” por algumas horas nas primeiras mamadas, entre cochilos e sugadas. Isso é normal. Sugar é, para o bebê, a maior satisfação que ele pode ter. Muitas vezes ele irá sugar mesmo sem ter fome. Por volta do terceiro dia (podendo demorar um pouco mais para mães que passaram por cesariana fora do trabalho de parto), irá ocorrer a descida do leite. O leite materno é o melhor e mais completo alimento para os bebês. Deve ser oferecido em livre demanda, isto é, sempre que o bebê desejar, e deve ser o único alimento dele até os 6 meses. Não é preciso nem mesmo oferecer água. Além de matar a sede e nutrir, através do leite materno o bebê recebe anticorpos da mãe, fundamentais para garantir sua imunidade. E, como se não bastasse, amamentar favorece a formação do vínculo entre mãe e bebê, acalma, consola e estimula uma série de músculos durante a sucção.

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Muitas mulheres amamentam sem nem saber de todos esses benefícios. Sabem apenas que o leite materno faz bem, é de graça e é mais prático do que preparar, carregar e higienizar uma mamadeira. O que a maioria não sabe, até que se torne mãe, é que a amamentação pode não ser algo simples e instintivo. O bebê, apesar de já possuir as estruturas para mamar, pode acabar machucando o seio se a pega estiver errada. A mulher, pode não saber o que fazer com o excesso de leite, ficando com as mamas engurgitadas. Rachaduras e empedramento podem ser MUITO dolorosos.
A APOJADURA
Com a descida do leite, a mulher passará pela apojadura, que é um processo fisiológico natural de dilatação dos alvéolos, local onde é produzido o leite, para preparar as estruturas envolvidas com a lactação. O organismo produz uma grande quantidade de líquido dentro da mama, dando uma sensação de mamas cheias de leite, esse líquido não é leite, mas água nos tecidos.Como resultado, o seio fica inchado e dolorido por alguns dias.
O que NÃO se deve fazer nesse momento:
- compressas, banhos quentes
- usar remédios para diminuir a produção ou ejetar leite
- deixar de amamentar
O que alivia o processo?
- colocar o bebê para mamar sempre que ele desejar.
- fazer massagem e tentar retirar leite para aliviar a pressão interna.
A PEGA CORRETA
É importante que, desde o início, a pega do bebê esteja correta, para que não venha a ferir os mamilos. Seguem aqui algumas dicas para garantir a pega correta:
- antes de amamentar, se o seio estiver muito cheio, faça massagens circulares a partir da aréola (a parte escura ao redor do mamilo) e retire um pouco de leite ordenhando manualmente ou com bombinha, para que a aréola fique macia e o bebê consiga abocanhá-la. Veja como realizar a ordenha manual: https://www.youtube.com/watch?v=3Kz5BmaS4Z8
- segure o bebê de frente para você, com a barriga dele encostando na sua e o rosto dele de frente para o seio, um pouco abaixo do mamilo (de modo que ele olhe um pouco para cima, esticando o pescoço)
- quando o bebê abrir bastante a boquinha, coloque o mamilo e parte da aréola na boca dele. Se ele pegar apenas no mamilo, irá ferir.
- o lábio inferior do bebê deve ficar voltado para fora, como uma boquinha de peixe
- o queixo do bebê deve tocar o peito
- observe se o bebê enche as bochechas quando mama e se não faz barulho de ar entrando quando suga

LIVRE DEMANDA
A amamentação deve ser em livre demanda. Isso significa que não deve acontecer num intervalo de horas pré-determinado (de 2 em 2 horas, 3 em 3 horas…), nem deve ter duração fixa. É sempre que o bebê quiser, por quanto tempo ele quiser. Isso não significa que ele irá mamar por duas horas seguidas, mas enquanto a mãe o deixar ao seio, ele não irá largar, não por ainda estar com fome, mas apenas pelo prazer de sugar. Quando a mãe observar que ele suga sem muita vontade e força, ela pode deixar por mais alguns minutos e, então, remover gentilmente o seio, colocando o dedo mindinho dentro boca do bebê, entre a bochecha e a gengiva, para que ele solte. Se ele chorar, pode tentar acalmá-lo no colo. Mas é importante conseguir observar se o bebê de fato mamou o suficiente para acabar com sua fome.
O estômago do bebê é muito pequeno e o leite é rapidamente absorvido. Isso significa que ele pode mamar por 10 minutos e ficar satisfeito, mas que terá fome de novo dentro de meia hora. À medida que o bebê cresce, ele consegue passar intervalos maiores sem mamar, mas não cabe à mãe estipular esses horários, apenas seguir o ritmo do bebê. Não precisa ter medo de que o bebê ficará “mimado”. O que acontece é que, na barriga, ele não tinha fome, dormia muito, não importando se era dia ou noite e agora, de uma hora pra outra, está num lugar onde todos seguem horários para tudo. Ele vai se adaptar, mas isso vai levar algumas semanas ou meses. Querer que um bebê siga padrões de amamentação a cada duas horas, que durma a noite inteira logo que nasce, é surreal e irá apenas causar frustração na nova mãe.