

▶️ Influenciador, dois adolescentes e uma moradora afirmam ter sido retirados do terceiro andar da Câmara durante sessão sobre empréstimo de R$ 15 milhões; Procuradoria diz que apenas recomendou restrição por segurança.
A última sessão extraordinária da Câmara Municipal de Campo Belo, realizada na terça-feira (21/7), foi marcada por um episódio que gerou questionamentos entre participantes. Enquanto o plenário estava lotado de servidores municipais (maioria contratados e cargos de confiança) que acompanhavam a votação do projeto que autorizou um empréstimo de R$ 15 milhões solicitado pelo prefeito Adalberto Lopes, três jovens, um influenciador digital e uma moradora afirmam ter sido impedidos de acompanhar a sessão do terceiro andar do prédio.

Segundo os presentes, eles haviam se dirigido ao local para assistir à reunião quando foram abordados por um servidor da Câmara, que informou que, por determinação superior, deveriam deixar o espaço. O funcionário apenas cumpriu a ordem e, segundo os relatos, manteve uma postura cordial durante toda a abordagem.
O DCB apurou junto ao presidente da Câmara que a orientação para desocupação do local partiu da Procuradoria da Casa. Já o procurador, Dr. Michel Antônio Rodrigues, informou que o setor jurídico apenas fez uma recomendação preventiva, cabendo exclusivamente ao presidente decidir se a orientação seria acatada.
Os jovens afirmam que o episódio causou constrangimento e questionam o motivo da retirada, lembrando que, na sessão anterior, familiares de um homenageado acompanharam a reunião do mesmo local sem qualquer impedimento.

Para o estudante Pedro, de 15 anos, a situação foi injusta. “Quando fomos retirados do coro, foi constrangedor. Até o funcionário que nos acompanhou dizia que estava apenas cumprindo seu trabalho. Ficamos de pé durante toda a reunião, enquanto havia lugares para sentar lá em cima. Depois vi fotos de outras pessoas assistindo à sessão justamente naquele espaço. Foi aí que pensei que talvez fôssemos polêmicos — e verdadeiros — demais para caber naquele lugar. Acho injusto. Estávamos ali sem incomodar ninguém e a injustiça nem foi disfarçada;” pontuou.
O influenciador Thiago Resende também lamentou o ocorrido e afirmou que foi quem convidou os adolescentes para acompanharem a sessão do terceiro andar. “Na hora, senti muita vergonha, principalmente porque fui eu quem levou os meninos para lá. Desci completamente sem graça. Depois comecei a pensar: por que eu não poderia permanecer ali? Eu não estava atrapalhando a reunião, nem desrespeitando ninguém. Então resolvi voltar, porque aquele é um espaço público e eu também sou cidadão. A vergonha virou indignação,” classificou.
Já Elizabety Eliazar afirmou que se sentiu desrespeitada e levantou a hipótese de discriminação. “A Câmara Municipal é um espaço público e de livre acesso. Não há base legal para nos expulsar dali. Estávamos apenas exercendo nosso direito de permanecer em um local que pertence à população. Gostaria de saber qual lei ou regra proibia a minha presença. Seria lesbofobia? Estávamos todos comportados, não causamos qualquer tumulto. Todo o meu respeito ao funcionário, que foi muito educado e apenas cumpriu ordens. Mas considero que houve um constrangimento ilegal e que meu direito foi violado,” indignou-se
▶️ Manifestação da Procuradoria
Procurado pela reportagem, o procurador da Câmara, Dr. Michel, afirmou que a orientação do setor jurídico teve caráter exclusivamente preventivo. “O setor jurídico apenas recomendou ao presidente que evitasse a utilização da parte superior do cercadinho, de forma preventiva, considerando o risco de eventual comprometimento da estrutura e a possibilidade de queda ou acidentes, especialmente por se tratar de área restrita da Casa Legislativa. Houve apenas uma recomendação jurídica, cabendo exclusivamente à Presidência, no exercício de sua competência administrativa, a decisão final quanto à utilização ou não do referido espaço,” informou Michel em resposta ao DCB.
O episódio ocorreu antes do início da sessão que aprovou o projeto autorizando a contratação do empréstimo de R$ 15 milhões pelo município.
Publicado por Diário Campo Belo – 28/7/2026
