

▶️Brasil registra alta de 7,5% nos feminicídios no 1º trimestre de 2026; casos em Campo Belo (MG) e Lavras reforçam alerta
Uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos no primeiro trimestre de 2026, em média. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país registrou 399 vítimas de feminicídio entre os meses de janeiro e março. Considerando o monitoramento realizado desde 2015, o ano de 2026 é o mais letal para as mulheres no recorte do primeiro trimestre. Em Campo Belo (MG), um filho foi indiciado por matar a mãe no dia 5 de abril. Um crime brutal chocou a cidade. Já em Lavras (MG) outro crime bárbaro. O caso da adolescente Evellyn Cristine Firmino da Silva, de 17 anos, comoveu a cidade também em abril de 2026. A jovem foi encontrada morta após desaparecer no dia 17/04/2026, com o namorado sendo o principal suspeito de feminicídio.
▶️ Crimes de abril em Campo Belo e Lavras

No caso de Campo Belo, Jorge Miguel da Silva, de 27 anos, é acusado de ter matado a própria mãe, Rosilene Pedrão da Silva Pereira, de 52 anos, no domingo de Páscoa. Após o assassinato, Jorge teria escondido o corpo da mãe dentro da própria residência por cerca de três a quatro dias.

Após dias de buscas, o corpo de Evellyn foi encontrado no dia 21 de abril de 2026, enterrado em uma área de mata na zona rural de Lavras. O namorado da vítima, Otávio Henrique dos Santos Campos, de 20 anos, foi preso sob suspeita de cometer o crime. Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) , o suspeito teria confessado o crime à mãe antes de tentar tirar a própria vida com injeções de insulina, sendo encontrado desacordado e internado sob escolta policial.
O volume de casos no primeiro trimestre desse ano apresenta uma alta de 7,55% em comparação ao mesmo período de 2025. Em uma década, o número de vítimas no início do ano saltou de 125 em 2015 para as atuais 399, superando inclusive os picos registrados em 2022 (372 vítimas) e 2024 (384 vítimas).
O governo federal aponta que parte da elevação pode estar relacionada à melhoria nos sistemas de notificação. Ainda assim, destaca que fatores como o machismo e a violência doméstica seguem como principais causas, já que a maioria dos crimes é cometida por parceiros ou ex-parceiros.
Desde 2024, o feminicídio é tipificado como crime autônomo no Brasil, com penas que podem chegar a até 60 anos de prisão, dependendo das circunstâncias.
Como forma de enfrentamento, o Ministério da Justiça desenvolve iniciativas de proteção, como a integração de tornozeleiras eletrônicas a dispositivos digitais, permitindo maior monitoramento de agressores e proteção às vítimas.

▶️ Caso julgado
O homem acusado de matar Carla Alves Pardinho, em julho de 2025, em Campo Belo (MG), foi condenado na quinta-feira (23/4/2026) a 60 anos de reclusão em regime fechado. O julgamento aconteceu no Fórum da cidade e foi presidido pela juíza Maiara Nuernberg Philippi.
O processo tramita em segredo de Justiça. O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras previstas no artigo 121-A, §2º, incisos III, IV e V, do Código Penal, que tratam do crime de feminicídio. Não houve fixação de pena de multa.
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o réu, Maurício Júnior Valadão, está preso no Presídio de Campo Belo desde 15 de julho de 2025, data do crime, e permanece à disposição da Justiça.
Carla Alves Pardinho, de 30 anos, foi morta a facadas pelo então companheiro, de 28 anos, na tarde de 15 de julho de 2025, no bairro Vila São Jorge, em Campo Belo. Moradores relataram à Polícia Militar que ouviram gritos e presenciaram o momento em que a vítima foi atacada.
Carla chegou a ser socorrida pelo Samu, com apoio do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a equipe médica, ela apresentava várias perfurações no pescoço e entrou em parada cardiorrespiratória.
De acordo com a Polícia Civil, o agressor desferiu 11 facadas, sendo oito no pescoço e três nas costas, conforme apontou a perícia.

Segundo a Polícia Civil, Carla havia procurado a Delegacia da Mulher dias antes do crime para registrar um boletim de ocorrência por ameaças e perseguição após o fim do relacionamento.

As medidas protetivas chegaram a ser concedidas pela Justiça, mas foram retiradas a pedido da própria vítima poucos dias antes do assassinato. “Ela depositou uma confiança em quem não era confiável. Infelizmente, a gente viu que ela retirou a medida protetiva por acreditar numa mudança, por esperança. Mas ele se mostrou ainda mais violento e cometeu esse ato bárbaro à luz do dia, na frente do filho dela, que tem apenas quatro anos”, afirmou a delegada da mulher, Rafaela Franco, na época do crime.
Publicado por Diário campo Belo – 6/5/2026
Fonte: DCB e G1
