
Esquema envolveria roubo de gado e documentos forjados para venda.
Batizada de ‘Boi na Linha’, investigação começou em 2011.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta quarta-feira (2), em Campo Belo (MG), em operação conjunta entre Polícia Federal e Polícia Civil. Batizada de “Boi na Linha”, a operação investiga a suspeita de fraude na venda de gado na região. Pelo menos três pessoas foram detidas.
Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram em 2011, com base em documentos do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). Há indícios de que um grupo de Campo Belo forjava a legalização de gado roubado para viabilizar a venda. As pessoas detidas foram encaminhadas para a delegacia da Polícia Federal, em Varginha (MG).
A equipe, com integrantes da polícia de Belo Horizonte (MG), cumpriu 3 mandados de busca e apreensão, três condução coercitiva (obrigado a depor) e uma mandado de prisão.
Em 2015, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) assumiu o caso. A operação em Campo Belo foi motivada pelo aumento de furtos de gado no Sul de Minas e na Zona da Mata mineira. “O indivíduo preso negociava o acréscimo de saldo com produtores rurais de todo o estado. Em todas as áreas de Minas existem propriedades que negociaram GTAs”, disse o delegado Daniel Araújo, da Polícia Civil.
De acordo com ele, responsável pela ação operacional, um funcionário da empresa Baia Leilões, situada em Campo Belo, foi preso. Outros três homens foram conduzidos coercitivamente, além disso, três mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
Ainda conforme Araújo, o homem estaria lucrando cerca de R$ 3 mil por mês com as fraudes. Além disso, cerca de 4 mil produtores podem estar sendo beneficiados pelo esquema.
“O que ele fazia? Ele entrava em contato com essa organização criminosa especializada em fraudar esse sistema do IMA. Essa organização criminosa conseguiu, através da fraude do sistema, ter poderes que lhe permitiam aumentar o saldo de animais da propriedade rural, para que ela conseguisse emitir esse documento que chama Guia de Trânsito Animal. E a propriedade, sem ter comprovado a origem lícita do animal, o vendia para terceiros, como se lícito fosse”, explicou.
Foram apreendidos dois carros, computadores e milhares de guias de trânsito animal (GTAs) na casa do suspeito. Segundo a Polícia Civil, ele é funcionário de uma leiloeira de gado na cidade. Ainda conforme os policiais, um médico veterinário aposentado do IMA, um funcionário do instituto e um produtor de gado são os outros suspeitos de fazer parte da organização criminosa. “A gente investiga o movimento de frigoríficos, de leiloeiras, de funcionários do IMA e de diversos outros produtores rurais que foram beneficiados através da aquisição desse acréscimo de saldo para emissão da Guia de Trânsito Animal”, afirmou o delegado.
O suspeito preso foi levado para o presídio de Campo Belo. O IMA disse que vai aguardar a conclusão das investigações para se pronunciar.
Fotos da coletiva: EPTV
