
A família de um morador de Campo Belo, de 58 anos, vive um dilema desde 2020. Elivaldo Mesquita da Silveira luta para conseguir uma avaliação vascular para o paciente, pela segunda vez em Campo Belo. Ele apresentou uma ferida enorme, primeiro no pé direito, devido à uma bactéria contraída trabalhando na limpeza das vias atingidas pela enchente da Prainha, em fevereiro de 2020, segundo a filha. Além da internação do ano passado, Elivaldo precisou novamente de atendimento no começo deste ano. O problema agora é no pé esquerdo.
Em março de 2020, Elivaldo começou a apresentar problemas de saúde. Teve pressão arterial e diabetes alterada. Um machucado pequeno no dedo infeccionou (devido à bactéria) e agora ele corre o risco de ter o pé amputado (um dedo já fizeram procedimento).
Desde sábado (23/04), Elivaldo estava na UPA (sendo bem cuidado pelo dr. Harley e Dra Terezinha), mas ambos não são especialistas na área que o paciente necessita. Ele aguardou a vaga para transferência que saiu após muita insistência do vereador Clésio Reis – que fez inúmeras ligações informando as autoridades competentes da área da saúde no município, a gravidade da situação.
Na terça-feira (27/04), após Clésio ligar para Junior Furtado, a vaga na Santa Casa foi liberada. A família do trabalhador pensou que o problema estaria resolvido. No entanto, teve inicio uma nova saga. “A médica plantonista da Santa Casa (clínica) disse que o cirurgião vascular do hospital não vai atender o meu pai. Iriam pedir avaliação com ortopedista, até aguardarem a próxima segunda para outra cirurgiã vascular avaliar meu pai, pois teria tido uma discussão entre nós, no atendimento do ano passado. Até quando? Toda vez que meu pai internar será assim? Foi desta forma no passado”, relatou Dayana Bertolino.
Diante da situação, Dayana procurou o DCB. A produção foi ao hospital entender o caso. Através da recepcionista, informaram que não podem oferecer por escrito a recusa do especialista (vascular) em atender o paciente internado na instituição.
Eles ainda informaram que o paciente estava na enfermaria, sendo acompanhado por médico (a) da clínica geral. Também em Campo Belo não conseguiram um exame de imagem Duplex Scan (bastante usado para avaliar vasos sanguíneos). Ele foi levado pra Lavras nesta quarta para a realização do mesmo. Ambulância foi liberada pela SMS. A vaga em Campo Belo sairia na sexta-feira, conforme informações passadas ao vereador Clésio. A família disse que não teve acesso a essa informação. “Para piorar, em Lavras, queriam cobrar o exame, mesmo meu pai estando internado pelo SUS na Santa Casa de Campo Belo, no entanto, minha mãe resistiu e então foi custeado pelo Sistema Único”, desabafou Dayana.
Sem saída e bem apreensiva, Dayana resolveu procurar a Câmara de vereadores e acionar a Comissão de Saúde. Oito dos 15 vereadores analisavam projetos de leis para a próxima reunião, mas ao fim da sessão ouviram a filha do servidor. Ela contou o caso e a saga vivida pelo pai desde 2020. Somente em 2021 completou-se a 3ª internação e em uma delas, ele contraiu Covid-19. Quatro dos parlamentares foram conversar com prefeito em exercício, Adalberto Lopes, para tentarem ajudar a família. Bruna Lorrance e Alessandra Neves (comissão de saúde), Clésio Reis e Luciano Alvarenga levaram a demanda ao executivo. O prefeito teria dito que iria ligar na Santa Casa.
Infecção
Elivaldo começou a apresentar problemas de saúde em março de 2020. Ele presta serviço para a Prefeitura na área de serviços gerais.
A filha o levou ao Pronto Socorro da Santa Casa, pagou uma consulta. Como o caso era de internação, o procedimento, pós consulta, foi migrado para SUS. “Meu pai foi pela clínica da Santa Casa, que solicitou avaliação vascular. O especialista da Santa Casa o levou pro bloco cirúrgico e fez um desbritamento. Uma semana depois outro procedimento foi necessário. Demorou cinco meses pra fechar a ferida”, contou Dayana.
Em 2021 apareceu um machucado no pé esquerdo e teve que internar três vezes, uma delas contraiu Corona. A amputação do dedão foi inevitável. “Ele saiu dia 5 de março de 2021, mas agora voltou a infeccionar e estamos com dificuldade em encontrar vascular. O médico se recusou a atender meu pai, porém, tudo tem sido verbal. A Santa Casa solicitou a avaliação de uma médica vascular, que só poderá atendê-lo na segunda-feira. Só quero justiça. Problema pessoal não pode ser considerado neste caso”, pontuou a filha.

Na papeleta do paciente consta a avaliação com especialista vascular.
