
Caso tomou repercussão após o vereador de Divinópolis tomar conhecimento do caso e gravar vídeo mostrando leitos vazios; Mas a direção da Santa Casa explicou que o hospital não é credenciado para atendimento Covid.

Reprodução do vídeo do vereador Diego.
O vereador Diego Espino (PSL) de Divinópolis, gravou um vídeo mostrando que Hospital de Carmo da Mata (MG) estava vazio, na noite de domingo (28/03). Ele recebeu a denúncia desta forma e foi à Santa Casa averiguá-la, diante do pleno colapso do sistema de saúde em Minas Gerais. Nesta segunda-feira (29/03), O DCB procurou a direção da Santa Casa para entender o relato do vídeo que tem sido propagado em redes sociais. A prefeitura de Carmo da Mata também acrescentou que a instituição hospitalar não tem estrutura física para receber pacientes com COVID-19. O diretor administrativo da Santa Casa de Misericórdia, Antônio Afonso Bernardes, disse à reportagem do DCB que o vídeo não foi condizente com a realidade do hospital. O site tentou fazer contato com o deputado Cleitinho, mas até a publicação desta reportagem, não conseguimos.
O deputado Cleiton Azevedo (Cidadania) foi a Carmo da Mata nesta segunda-feira (29/03), acompanhado do vereador divinopolitano que fez a denúncia. Cleitinho explicou em uma live que considera inadmissível 300% de ocupação em leitos de Divinópolis e um hospital vazio.
Antônio, administrador do hospital, expôs seu ponto de vista relativo à gravação do domingo. Ele reforçou a finalidade da Santa Casa. “Somos um hospital de Pronto Atendimento. Não somos referência a Covid. Tanto que temos somente dois respiradores para atendimento de urgência e emergências em caso de parada cardíaca e insuficiência respiratória. Casos de covid são transferidos para Oliveira, Divinópolis”, explicou Antônio Afonso Bernardes.
Ele explicou que os leitos vagos mostrados no vídeo são destinados à clinica. “São destinados à clínica. Ele chegou em um dia que não tinha ninguém internado. Nossa população é pequena. Não recebemos especialidades”, ponderou o administrador Antônio.
Todos os oxigênios mostrados no vídeo, segundo o administrador, estavam vazios. “Não temos medicamento de sedação e intubação, pois está em falta no mercado. O posicionamento da maneira que ele mostrou está equivocado”.
No hospital pode-se atender pacientes que não são diagnosticados com covid, conforme Antônio. “O Cleitinho já esteve no hospital (com agendamento), explicamos à ele à situação da Santa Casa; Falamos sobre dívidas antigas (o que acontece com a maioria das Santas Casas). A Santa Casa não se omite em prestar atendimento, não temos condição de receber paciente que testa positivo. Não somos referência em tratamento Covid. Por isso, a informação deles está equivocada”, citou.
Ainda segundo Antônio, a Santa Casa tem problemas na CND (Certidão Negativa de Débitos) devido a problemas jurídicos antigos e por isso o hospital não consegue emendas de verbas parlamentares. “Para ter referência de Covid é necessário uma equipe de CTI, equipe médica competente, área de isolamento específica (a Vigilância Sanitária já analisou a questão dos atendimentos e não liberou). Não temos armazenamento de oxigênio, tudo é cilindro. Oliveira e Divinópolis são referências por contarem com estrutura física. Tínhamos quatro respiradores e emprestamos dois para Oliveira, porque eles estavam sem o aparelho. O hospital está vazio por não ter estrutura adequada pra tal atendimento, relativo a Covid”, frisou.
Quando questionado sobre alternativas para utilizar a estrutura do hospital, Carlos explicou que o Deputado Cleitinho vai pontuar com o Secretário de Estado da Saúde alternativas para usar a estrutura existente em Carmo da Mata. “Seria interessante em um credenciamento do SUS, sermos retaguarda. Os pacientes que por ventura estivessem no corredor para outras anomalias fossem transferidos para Carmo da Mata”, ressaltou.
Com esta iniciativa liberariam corredores, na visão da administração da Santa Casa. “Para que se faça atendimento de Covid é necessário um investimento de 2 milhões, no mínimo. Construir CTI, contratar médicos e enfermeiros, para mosntar a estrutura. Fora da nossa realidade”.
O deputado irá verificar com o governo do Estado se há possibilidade de investir na instituição, conforme definiram na conversa que tiveram na instituição nesta segunda. “Estrutura o hospital para ele tenha capacidade de absorver as pessoas que estão no corredor que não seja Covid. Todos os leitos são credenciados, mas não adianta trazer uma pessoa com diagnóstico de Covid para o hospital, sendo que não ofereço condições para tratá-lo”.
A Secretaria de Estado de Saúde (Ses) cita as mesmas alegações do município. Disse que a unidade não integra o plano de contingência de enfrentamento à Covid do estado por ela ter “perfil de atendimento de baixa complexidade hospitalar”.
Conforme a Secretaria de Estado, o hospital não possui rede de gás medicinal hospitalar (que possibilita a chegada de oxigênio a pacientes, por exemplo), respiradores e monitores em quantidade suficiente. A unidade também não dispõe de equipes médicas para atendimento 24 horas. “A disponibilidade de um leito hospitalar, seja clínico ou de terapia intensiva, especialmente para tratamento de pacientes com COVID-19, requer o cumprimento de normas técnicas e equipamentos específicos, que não são oferecidos pelo Hospital Olinto Ferreira”, informou a SES.
Ainda segundo a SES, apenas na macrorregião Oeste, da qual faz parte Carmo da Mata foram abertos 153 leitos de UTI desde o início da pandemia, passando de 109 para 262 leitos.
