


Foto concedida pelo Coordenador do SindUTE/MG – Subsede de Campo Belo e professor da Escola Estadual Jarbas Gambogi e Escola Estadual Professor José Monteiro.
O dia 23 de Março, é um dia para dedicar-se na reflexão sobre o salário do professor. A data comemorativa oficial do Brasil foi regulamentada pela Lei nº 12.668, de 18 de junho de 2012. Em meio a este dia, que pode ser para ser feito eventos e outras formas de comemorações, o coordenador do Sindicato dos Professores, o SindUTE/MG, da subsede em nosso município, além da opinião de outros professores, falaram sobre a realidade da educação em que vivenciam, sejam eles da rede estadual ou municipal de ensino.
Em uma conversa com o Sindicalista Ezequiel Genesis de Resende, que tem 18 anos trabalhando como professor, ele destaca a sobre as lutas e também ações que foram feitas para garantir um salário melhor ao Professor, garantindo que o profissional da educação já teve um valor inclusive abaixo de um salário mínimo.
Segundo Ezequiel, a aprovação da Lei 11738/2008 do Piso Nacional Salarial do Magistério, foi um avanço para a valorização do profissional da educação. Em pesquisas recentes, chegou representar ganho real próximo de 40%, entretanto, o salário do professor, em média, ainda corresponde em torno de 60% em relação ao salário de outras áreas com o mesmo nível de escolaridade. Ele falou que no final do ano passado, mesmo com elevada inflação, desemprego, e as dificuldades enfrentadas pela categoria para realizar o trabalho remoto, o atual presidente zerou a correção do Piso para 2021.
Embora exista uma Lei que fixa valor mínimo e percentuais de reajuste anual, vários prefeitos e governadores descumprem a determinação legal, como é o caso do governador Zema de Minas Gerais. Mais do que isso, ele garante que desde 2017, não houve reajuste de valor do piso dos profissionais da educação do estado. Ezequiel também relembrou as lutas pelo Piso, como a histórica greve realizada pelos professores de Minas Gerais em 2011. Naquele ano o STF votou pela constitucionalidade da lei do piso, que já estava muito defasado por aqui.
No ano de 2015, no governo Pimentel, foi promulgada a lei 21.710/15 no estado, para restabelecer a defasagem do piso e a carreira, ambos congelados pelo governo Anastasia. Com isso, conseguiram uma recolocação de 47% de perdas do piso no salário, mas a partir de 2017 não conseguiram a mudança do valor. Em 2018 foi votada a PEC49/18 para emendar e ratificar a lei de 21.710/15, respaldada pela lei federal de 2008, e reafirmar o Piso Salarial Nacional do Magistério nas carreiras do estado.
Ezequiel disse que a luta da categoria é constante, mas não só pela questão financeira, pelo Piso, décimo terceiro, plano de saúde, mas por várias melhorias nas condições de trabalho nas escolas e consequentemente por melhor qualidade na Educação Pública do país.
Sobre as aulas serem online, ele relata também as dificuldades dos alunos relacionada a internet. “Muitos alunos precisam pegar o celular do pai ou da mãe para fazer e enviar os exercícios, outros tem uma internet de baixa qualidade, e tem aqueles também que moram em comunidades rurais que não tem onde pegar sinal nenhum de internet, tendo que deslocar por quilômetros para conseguir estudar” constatou o Sindicalista. O professor também revelou outros problemas e inconsistências no sistema da secretaria de educação do estado, que dificulta desde as matrículas dos estudantes até contratações de profissionais neste período da pandemia.
Sobre como incentivar o aluno a querer estudar nos tempos atuais, o Professor disse que houve avanços a partir de programas como Bolsa Família, os alunos precisam frequentar a escola, mas é importante a melhora da situação sócio econômica, para os alunos dedicar mais tempo aos estudos sem precisar trabalhar. Ele cita e defende políticas públicas como os 75% dos royalties do Pré-Sal destinados a Educação no Governo Dilma.
Segundo ele, seria um salto na qualidade das nossas escolas, pois existe uma grande necessidade de investimento e problemas nas estruturas da escola, mas preferiram votar em 2016 a lei do teto de gastos, que congelou os investimentos em Saúde e Educação por 20 anos. “Precisamos de mais salas, construção de laboratórios, bibliotecas, quadra coberta, sem isso, traz dificuldades na qualidade na educação” afirma Ezequiel.

O professor conhece as duas realidades: ensino público e privado. Imagem concedida pelo professor.
Wellington Pereira – Professor da Escola Estadual Padre Alberto Fuger e Colégio Dom Cabral
“Nós professores precisamos reinventar nossa forma de dar aula e lidar com outras dificuldades, como a tecnologia e, em alguns casos, o convívio familiar durante o expediente. Além disso, a exclusão digital de uma grande parte dos alunos da rede pública é, talvez, o maior dos problemas. É preciso saber das limitações de cada aluno. Avaliar de maneira correta se aprendeu ou não. Incentivá-los a não perder a esperança na educação, no foco. Veja que o ENEM teve não comparecimento recorde de quase 70%. Muito professor experimentou queda em seus salários. Nenhum aumento ocorreu. E o professor aumentou seus gastos com uma internet mais rápida, um computador melhor. A maioria dos governadores não aceitam pagar o piso salarial. Equação difícil de fechar.”

Andreia Adriano Amaro reconhece que os professores tiveram que se reinventar. (Foto: Arquivo Pessoal)
Andreia Adriano Amaro – Professora da Escola Estadual Padre Alberto Fuger
“ Neste momento de pandemia, temos as maiores dificuldades enfrentadas ao meu ver, são a falta de preparação para lidarmos com as tecnologias que tivemos que implantar a toque de caixas e a questão de horários pois, muitas vezes, chegam dúvidas e questionamentos dos pais e alunos nos finais de semana, tarde da noite e até mesmo de madrugada. Acho que a maior exigência é a disponibilidade de horário, enquanto estávamos fisicamente na escola, tínhamos aqueles determinados horários para sanar as dúvidas dos alunos. Agora, é como se tivéssemos que ficar 24h disponíveis, pois os questionamentos chegam nos mais variados horários. Nosso salário não é reajustado a anos”.

Rosemary Batista Barra – Professora da Escola Municipal Lucilla Gibram Cambraia
Rosemary Batista Barra – Professora da Escola Municipal LucillaGibram Cambraia
“Aulas remotas representa um desafio diário. Para mim está sendo desafiador trabalhar com os novos recursos tecnológicos; equipamentos de filmagens ; Falta de contato direto com os alunos é o maior desafio do trabalho. Realmente é uma prova de fogo. O planejamento das aulas com atividades motivadoras, prazerosas e lúdicas e com materiais reciclados que tenham em casa são maneiras de atrair os alunos e os pais.”

Para Janine, a maior dificuldade foi lidar com a tecnologia. (Arquivo pessoal)
Janine Monteiro de Castro – Professora da Escola Municipal Cônego Ulisses
“Inicialmente a maior dificuldade foi lidar com a tecnologia. Era tudo muito novo e tivemos que lidar rapidamente. Apesar disso, estamos mais preparadas para tentar solucioná-las. Além disso, é necessário passar para os pais e os alunos sobre estas novas formas de tecnologia. Sem a parceria escola-pais seria impossível o ensino online funcionar. Com relação ao salário continuam sendo pagos da mesma forma”.
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