*Sob supervisão de Samantha Silva, do G1 Sul de Minas

Casinhas são feitas de material reciclável e abrigam cães de vários portes em Lavras (Foto: Daiana Garcia/Arquivo pessoal)
Uma moradora de Lavras (MG) sensibilizada com a causa dos animais abandonados e sofrendo as consequências do tempo, em razão do inverno desenvolveu o Projeto Cachorro Quente, que espalha casinhas sustentáveis para dar abrigo aos cães que dormem nas ruas da cidade.
Antes de desenvolver o projeto, o amor pelos animais já tinha virado trabalho para Daiana Garcia. Ela começou como voluntária cuidando de bichos no Parque São Francisco de Assis, mas ao ver a dificuldade que eles tinham para manter tantos animais, acabou levando o “trabalho” pra casa. “Lá eles estão com 450 cachorros e já não comporta mais cães. Então eu vi que eles precisavam de ajuda e comecei a fazer os resgates por conta própria, levando eles pra minha casa. Hoje eu tenho 70 cães no meu canil.”
Além de dar abrigo para os cachorros doentes e machucados, ela tem um projeto de castração dos animais de rua para diminuir a população canina abandonada.
Mas em casa, o espaço também foi ficando pequeno e ela ainda queria cuidar dos animaizinhos de rua. Foi então que surgiu a ideia de levar as casinhas de cachorros para a rua. “Este mesmo projeto foi implantado no Rio Grande do Sul e me chamou muita atenção, então comecei a pesquisar e vi que era possível”.
Casinhas sustentáveis

Manilhas coloridas e casinhas recicladas abrigam cães de rua em Varginha (Foto: Secretaria de Turismo de Varginha/Divulgação)
O Projeto Cachorro Quente nasceu há um mês e meio. A ideia principal é dar um lugar quentinho para os cães dormirem neste inverno. “Eu acho que o animal de rua é o que mais sofre. A gente deita todo dia numa cama quentinha, o morador de rua pode pedir ajuda para alguém e o cachorro não. Ele não sabe pedir, não sabe falar.”
As casinhas, adquiridas em Campinas (SP), são sustentáveis, feitas de materiais reciclados como papelão, caixinhas de leite e garrafas pet. Estes materiais são triturados e viram uma fitinha, para depois serem prensados com cola. Segundo Daia, a duração da casinha é de 4 a 5 anos. Cada moradia custa R$ 50 e abriga cães de todos os portes. “Nós conseguimos estes abrigos com a ajuda de patrocinadores. Cada uma das casinhas representa uma pessoa que comprou esta ideia”.
Ao todo, 100 casinhas estão sendo distribuídas pelos bairros e praças da cidade. O projeto começou a ganhar visibilidade e atrair o interesse de outras cidades mineiras. Daiana conta que já foi procurada por pessoas de Pouso Alegre, Juiz de Fora, Nepomuceno e São João Del Rei.
