
“Nossa revolta é que a história poderia ser diferente”, desabafam familiares
“Minha mãe entrou andando na UPA e saiu morta!!! A pressão arterial à 20! Veia aorta dilatada e o Médico simplesmente disse que aquilo não era nada de grave”, indignou-se o filho Carlos Alberto.
Mais um caso envolvendo a UPA de Campo Belo MG é revelado ao público. A família de Dona Cleuza Batista Silva, 61, está inconformada com a morte da idosa. Segundo relatos, após internada na unidade com a pressão arterial alterada e a veia aorta dilatada (ultrassom indicou calibre de 6.5 x 5.95), o Médico teria dito à família que o caso não seria grave. De uma escala de 0 a 10, a aposentada estaria no nível 7. A internação aconteceu em 16/05. Ela chegou ao hospital por volta das 21h00, mas só teria sido atendida às 22h30. Dona Cleuza não resistiu, e, no dia seguinte, faleceu.
O atestado foi assinado por outro Médico e a causa da morte indicada foi “choque hipovolêmico, ruptura de aneurisma aorta abdominal”, diagnóstico apontado no exame de imagem, com que Dona Cleuza levou no dia do atendimento hospitalar.
Para Carlos Alberto (41), a mãe foi vítima de negligência clínica em Campo Belo; “Como demorar tanto, segurando um paciente grave com exame na mão? Daqui à Belo Horizonte são 3 horas de viagem. Se tivéssemos sido orientados e encaminhados, ela teria uma chance. Uma cirurgia para desentupir a veia poderia ter salvo nossa mãe,” declarou.
O atendimento teve erro desde o inicio, na avaliação da família de Dona Cleuza; “O Estatuto do Idoso não foi respeitado, o Médico disse que o estado clínico não estava ruim e ele iria pedir um exame mais detalhado, resultado; minha mãe morta no dia seguinte”, lembrou.
Por volta das três horas da madrugada, conforme depoimento de Carlos, a paciente teve uma piora; “Pegaram minha mãe com descaso, jogavam-na da maca para a cama. Levaram-na para a emergência e disseram que ali não poderia ficar acompanhante, somente o Médico e a Enfermeira de plantão”, ressaltou.
A partir das 06h00 a pressão arterial de Dona Cleuza Batista teve uma queda considerável; “Neste horário, em tom seco a equipe do hospital nos informou que a pressão da minha avó chegou à 6”, disse emocionado Carlos Henrique, 21 anos.
Familiares resolveram divulgar o fato para evitar novos episódios. Estão indignados com o serviço de saúde pública prestado em Campo Belo. O Médico da UBS do Cidade Montesa (bairro onde moram) solicitou o exame, realizado no dia 13 de maio no centro Viva Vida. Três dia depois, eles foram para a UPA e no dia 17, ela faleceu; “Descaso da Unidade de Pronto atendimento; Cadê nossos fiscalizadores? Quem paga a máquina pública é a população e é este descaso que recebemos? Será que os Médicos da UPA (não todos, é claro) não sabem sequer ler um diagnóstico?”, questionou Carlos.
Ainda segundo ele, outro Médico teria dito que poderia haver chance de sobrevivência; “Com o resultado daquele exame, minha mãe teria que ter sido transferida no mesmo dia. A história poderia ser diferente”, acrescentou o filho que aguarda por justiça.
Juliana Alves também está inconformada pelo atendimento que a mãe teve; “Perder minha mãe desta maneira é brutal demais. O Médico disse que ela ficaria bem e posteriormente disse que não tinha mais jeito, é estarrecedor” desabafou a jovem.
