

O paciente foi encaminhado sem exames para o CTI da Santa Casa e quando o plantonista da unidade percebeu a gravidade o transferiu para João XXIII. Município e Estado não agiram, mas o homem salvará centenas vidas. A família doou os órgãos.
O homem de 39 anos deu entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Campo Belo (MG) dia 26 de maio. Ele era morador da Rua Pedro Milani (Jardim América). Quando o transferiram para a Santa Casa da cidade já era tarde. A locomoção foi feita sem um exame. Ele estava com lesão cerebral, fato descoberto na Santa Casa de Misericórdia São Vicente de Paulo, após a realização de uma tomografia. Jerri Ander Mendonça Castro, 39 anos morreu neste domingo (31) no João XXIII. O sepultamento será nesta segunda (01) às 15h00. O corpo é velado na Capela da Avenida São João.
Ele havia sido transferido na quinta-feira (28), mas já saiu de Campo Belo com morte cerebral. O hospital da capital ainda questionou Campo Belo sobre a demora. Um problema que precisa ser sanado: de quem é culpa pela demora em realizar exames especializados na Unidade de Pronto Atendimento? Ela está capacitada para tal? Porque estes pacientes graves já não entram pela Santa Casa, que possui aparelho para a realização de tomografia? Existe um radiologista de plantão para emitir laudos no aparelhos do hospital, que faz pelo SUS? Cadê o Pronto Socorro da Santa Casa? São perguntas que a população aguarda por respostas há tempos. A funerária Nova Aliança foi à capital buscar o corpo do campobelense.
A família está revoltada. Segundo o chefe do CTI, o paciente teria chegado na Unidade Intensiva na madrugada de terça (27), desentubado e desacordado. O plantonista solicitou uma tomografia computadorizada e já diagnosticaram o problema na quarta-feira (27) e a transferência efetivada na quinta (28). Ele morreu, mas deixou uma grande lição: seus órgãos salvarão vidas.
Reflexão:
Até quando continuará este grave problema na UPA de Campo Belo? E a Santa Casa quando abrirá o Pronto Socorro? Tem que haver uma saída para a realização de exames de imagem e com isso, saber se é paciente da Santa Casa de Campo Belo ou de fora. A Unidade de Pronto Atendimento tem que resolver a questão, gravíssima (falta de exames de imagem). Quem tem a responsabilidade em Campo Belo de definir se o paciente precisa de exames ou não? Sabemos que o médico, por isso, precisam ser preparados para urgência e emergência. Saber entubar, encaminhar devidamente. E quem autoriza estes exames precisa ser humano. A reportagem tem certeza de que dr. Richard Miranda vai olhar com carinho mais este caso. São vidas!
Amanhã a reportagem procurará os órgãos competentes para mostrar sua versão.
Jerri morreu, mas deixou uma lição: os órgãos foram doados.
