
▶️ Pacientes saem de Campo Belo de madrugada e relatam retorno sem lanche após horas de tratamento em Belo Horizonte; Prefeitura diz que serviço será retomado nesta semana.

Uma denúncia apresentada ao DCB aponta que pacientes de Campo Belo que utilizam o Tratamento Fora do Domicílio (TFD) tiveram o fornecimento de lanche suspenso durante as viagens para atendimento médico em Belo Horizonte.
Diante da situação, mesmo neste sábado, 26 de setembro, o DCB buscou informações junto ao Governo de Campo Belo para apurar o caso, que foi considerado grave por dezenas de moradores.
O secretário municipal de Saúde, Darci Maia, respondeu aos questionamentos mesmo não sendo dia útil. Segundo ele, a suspensão ocorreu em razão da realização de um processo licitatório para contratação do serviço. A previsão informada pela Secretaria é de que o fornecimento seja regularizado ainda nesta semana.
Uma moradora, que se identificou como acompanhante de um paciente do TFD de Campo Belo, demonstrou indignação com a situação. “Outra coisa, o pessoal que faz tratamento em BH, antigamente, na volta eles ganhavam um pão com linguiça e um copo de refrigerante. Acho que o prefeito achou que estava ficando caro e tirou. Tem pessoas que vão e voltam com fome por não terem condições de comprar um almoço, porque várias pessoas têm consulta na parte da tarde, mas têm que sair às 2h30 da manhã, o que é um absurdo”, relatou.
Outra moradora também afirmou ter enfrentado a situação recentemente. “Eu fui dia 10 de setembro em BH. Saímos 2h30 da manhã, saímos de BH mais de 17h30 e sem lanche”, contou.

Outro relato chamou a atenção do DCB. Uma moradora afirmou que acompanhou o marido em tratamento pelo TFD em 2023 e que, segundo sua experiência, o lanche já estava deixando de ser fornecido naquele período. “Mas, Kelly, eles suspenderam o lanche há uns três anos. Meu marido fez a cirurgia em julho de 2023 e, no final de 2023, lembro que, ao voltar de uma consulta, era o último dia em que eles deram lanche e depois ia ter licitação. Nas viagens seguintes já não deram mais”, relatou.

A declaração indica uma possível divergência entre os relatos dos usuários e a informação de que a atual suspensão estaria relacionada exclusivamente ao processo licitatório realizado recentemente.
Outra seguidora do DCB também criticou a situação e fez uma comparação com o vale-refeição destinado aos vereadores, no valor de R$ 1.500. “Tirou o lanche dos pacientes para dar o vale-alimentação para os vereadores, coitadinhos deles, ganham muito pouco”, afirmou.
Questionada pelo DCB, a Secretaria Municipal de Saúde informou que foi realizada uma licitação para a contratação do serviço e que o fornecimento do lanche deve ser retomado nesta semana.
Segundo as informações repassadas ao DCB, a licitação foi realizada na sexta-feira e a expectativa é de que o serviço esteja regularizado, no máximo, até quarta-feira, 30 de setembro. A empresa vencedora já teria assinado o contrato.
A Secretaria também explicou que existem dois horários de transporte para os pacientes, de acordo com o período das consultas.
“Com relação às consultas, mandamos em um carro mais tarde e, às da manhã, às 2h30 da madrugada. Às vezes as pessoas têm exame e consulta à tarde. Porém, são dois horários fornecidos”, informou a Secretaria de Saúde ao DCB.

Além das reclamações relacionadas à suspensão do lanche, pacientes também relatam dificuldades no transporte para tratamentos realizados em São Paulo e outras cidades.
Uma paciente contou ao DCB que há veículos que saem de Campo Belo por volta da meia-noite e, em alguns dias, retornam somente durante a madrugada. Segundo ela, alguns pacientes passam horas sem condições de fazer uma refeição ou até mesmo comprar água durante o trajeto.
“Tem vários carros para SP todo dia. Saem meia-noite e tem dias que chegam de volta de madrugada. Tem gente que vai, como falaram aí, nem desce nas paradas, pois não tem condições. Eu mesma já fui e não tive como comprar uma água. E trato de vários cânceres raros desde 2008”, relatou.
A paciente também afirmou que há pessoas que precisam viajar com frequência para tratamento e que, segundo sua experiência, nem sempre há veículos adequados disponíveis. “Tem muitos que vão um dia sim, um dia não e, infelizmente, nem carro direito tem. Tem dias que vai numa ambulância. Lá atrás, onde era para ir paciente deitado e um acompanhante, tem dias que vão sete ou mais, todos sem cinto, sentados em maca”, afirmou.
Publicado por Diário Campo Belo – 25/9/2026
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