

Persistência, coragem e determinação representam a campobelense: “E digo mais, lugar de mulher é aonde ela quiser, se você tem um propósito, corra atrás que, devagarinho, os sonhos vão se realizando”, disse a futura doutora em engenharia.
Ela tem 28 anos e boa parte deles dedicados aos estudos. Thamirys Andrade Lopes, é natural de Campo Belo, cidade onde também foi criada. Apaixonada pela literatura e também pela música, a mestre em engenheira florestal é exemplo para muitos jovens. Orgulhosa de sua origem, Thamirys sempre teve foco em seus objetivos e sabia que o conhecimento poderia leva-la longe, a lugares de destaque. Ela é graduada pela Universidade Federal de Lavras (em um dos cursos mais difíceis); Após a pós-graduação, ela defendeu tese de mestrado e está na fase final do doutorado. Desta vez defendido pela Universidade Federal de Viçosa. A jovem têm obras publicadas em universidades federais conceituadas. A vida para a engenheira nunca foi fácil, mas os desafios a fez vencedora! Thamirys é uma das guerreiras que o DCB tem orgulho de apresentar nesta semana dedicada as mulheres.
Ela conta como foi sua vida acadêmica. Em 2010, com muita persistência, se formou no ensino médio em uma das escolas particulares de Campo Belo. “O estudo era financiado por um padrinho muito querido, pois meus pais jamais teriam condições para tal. As lutas começaram cedo. Eu morava em uma rua que, até boa parte da época do colégio, era de terra. Daí, alguns coleguinhas, filhos da “nata” da sociedade, se sentiam no direito de me chamarem de pobre da roça, por conta da cor dos meus sapatos, hora um pouco sujos de poeira, hora de barro. De início, me incomodava bastante, mas depois foquei no meu objetivo, coloquei em minha cabeça que eu estava ali pra estudar e correr atrás de um sonho. E assim eu fiz”, relembra a agora futura doutora em engenharia.
Ao final do ensino médio, ela conseguiu passar em 5° lugar em Engenharia Florestal e em 7° lugar em Engenharia Ambiental, ambos pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Optou pela Engenharia Florestal. “De início tive que morar de favor na casa de parentes, e logo procurei estágios nos laboratórios do meu curso pra tentar conseguir uma bolsa de iniciação científica. Fácil, nunca foi. Foram muitas noites de sono perdidas preocupada com o estudo (pra manter a bolsa) e as contas pra pagar. Mas Deus com seu jeitinho, faz as coisas se ajeitarem e acontecerem. Em 2015 eu me formei e me tornei a primeira pessoa da família a possuir um diploma de curso superior”, conta a mestre em engenharia.
Ela acumula em seu currículo vitórias. Thamirys foi aprovada em 1° lugar no mestrado em Engenharia de Biomateriais (UFLA). “Em 2018 me tornei mestre e meu trabalho de mestrado, chamado dissertação, foi publicado em uma revista A1 (grande relevância) na minha área”, orgulha-se a campobelense.
No final de 2017, estudou para três processos seletivos para ingressar no doutorado: – passei em todos (2 deles na UFLA e 1 na UFV). Como gosto de desafios e adquirir novos conhecimentos, decidi ir morar em Viçosa, que fica à 400 km de Campo Belo, fazer o doutorado na federal de lá, que também é uma universidade de grande renome na minha área de formação”, contou ao diariocampobelo.
Falta pouco para a mestre em engenharia chegar a docência. “Hoje, faltando 1 ano pra me tornar doutora com “doutorado”, um capítulo do meu trabalho de doutorado, também chamada de tese, já virou capítulo de livro. Sigo firme no meu propósito de me tornar professora em uma das universidades desse nosso país, com muita garra, dedicação, persistência e humildade, acima de tudo, pois ter um diploma, não significa ser melhor que ninguém. E digo mais, lugar de mulher é aonde ela quiser, se você tem um propósito, corra atrás que, devagarinho, os sonhos vão se realizando. Termino com um trecho da música Mais Uma Vez – Renato Russo:
“Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena creditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém.”
