

Pelo menos seis dos 15 vereadores da Câmara de Campo Belo (MG) impetraram junto ao Ministério Público (MP) uma representação administrativa com o objetivo de provocar o órgão a instaurar inquérito civil e tomar medidas cabíveis em face da eleição da Mesa Diretora da Casa Legislativa do biênio 2021/2022. Os vereadores alegam que a recondução para o mesmo cargo do presidente Wilson Pimenta de Oliveira é vedada em lei. Wilson foi Presidente de 2019/2020. Se a matéria for deferida, pode haver nova composição da Mesa Diretora. Pimenta foi procurado pela produção do site, através de seu assessor jurídico, no entanto, não quis se manifestar.
Segundo o vereador Gustavo Protásio, a ação questiona diretamente a recondução do vereador Wilson Pimenta de Oliveira, para a presidência do parlamento em mandato subsequente. “Não há objeto pessoal e sim, caráter constitucional. A Constituição no artigo 57, parágrafo 4º, prescreve que cada uma das Casas devem se reunir em sessões preparatórias a partir de 1º de fevereiro, para dar posse aos seus membros na eleição das respectivas mesas”, explicou.
O vereador frisou que a Constituição Federal estabelece ainda o mandato de dois anos. “Diz claramente que é vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente”, detalhou Protásio.
O parlamentar citou o artigo da Lei Orgânica do Município (LOM) que também proíbe a reeleição em mandato subsequente e destacou a observação na petição encaminhada ao MP. “A Mesa da Câmara compõe-se de Presidente, Vice e Secretário, que se substituirão nesta ordem para o mandato de dois anos, vedada a recondução para o mesmo cargo no mandato subsequente”, citou.
Ainda conforme Protásio, mediante a prerrogativa, um grupo de vereadores entrou com a representação no MP. “Pedimos ao promotor que avalie a legalidade e legitimidade da mesa diretora”, pontuou.
Quando questionado sobre o tempo que os vereadores demoraram em impetrar a ação, Gustavo disse que ainda estão dentro do prazo. “Essa questão foi levantada logo no inicio. Porém, recebemos o parecer de alguns advogados que, em seus entendimentos, a eleição não apresentava irregularidades por se tratar de outra legislatura. Mas, por ser uma questão interna, primeiro analisamos e buscamos coletividade. Temos 140 dias para questionar a matéria”, se posicionou.
Boletim de Ocorrência
Após às 12 horas da terça-feira (02/03) o vereador conta que chegou à Casa e solicitou o registro de chapa e ata de posse do biênio 2019/2020 e 2021/2021. A Secretária Margareth Silva, então, ligou para o presidente e o mesmo teria dito ser necessário um requerimento para que o parlamentar tivesse acesso ao documento e que a Câmara teria até 15 dias para respondê-lo. Diante da resposta, o parlamentar acionou a Polícia Militar.
Segundo ele, o objetivo era ter sustentação para entrar com um habeas data (ação que assegura o livre acesso de qualquer cidadão a informações a ele próprio relativas, constantes de registros, fichários ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público). “A lei de acesso a informação estabelece que não seja necessário sequer requerimento para este pedido. Isso para cidadão comum – imagine eu, como vereador! Quando uma pessoa recusa um documento, é necessário emitir uma certidão da negativa. É uma forma da pessoa ter materialidade pra impetrar um habeas data”, explicou o vereador sobre o boletim de ocorrência registrado na Câmara de vereadores.
Confiram os artigos da Constituição Federal e da LOM



