

Os detentos da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de Campo Belo (MG) trabalham na reforma de uma escola municipal. Atualmente, 10 detentos trabalham com pintura e a manutenção – nove do regime fechado e um do regime aberto. A
Escola Municipal Vereador José Alvarenga foi a escolhida para aplicação do projeto após um pedido da diretora. Por falta de verbas, o juiz de execuções penais de Campo Belo, Leonardo Guimarães Moreira, apresentou o projeto para a unidade. “Nós conseguimos encaixar a participação da comunidade com o envolvimento dos recuperandos do sistema Apac. Com essa abertura, nós podemos mostrar para a comunidade o valor desses recuperandos”, afirma o juiz.
Ainda segundo o juiz, o projeto será divulgado a mais escolas municipais e estaduais de Campo Belo, que precisam do serviço de manutenção.
Para os detentos, a cada três dias de trabalho, há a redução de um dia da pena. “Estão fazendo com muito engajamento, muito envolvimento. E isso vai contribuir de forma muito importante do retorno ao convívio social assim que terminar o cumprimento da pena”, conclui.
A comunidade escolar aprovou a iniciativa. “A Escola Municipal Vereador José Alvarenga juntamente com seus professores, funcionários,direção,pais e alunos agradece a iniciativa. Nossa escola está ficando linda para receber os alunos! Parabéns!”, citou uma professora.
Retorno
“É uma honra realizar esse trabalho, para mim é muito gratificante. Eu levava uma vida antes e agora posso ser útil para a sociedade e para o bem”, afirma Fabiano Reis. Já para Márcio Reis Peixoto, “poder sair da cela e fazer um trabalho que vai ajudar outras pessoas, me deixa muito feliz. Ainda existem pessoas que acreditam na gente, na nossa recuperação, e isso é muito importante”, diz Márcio Reis Peixoto.

Recuperando faz desenho para alegrar ambiente de alunos de escola com vários níveis de ensino (Foto: Divulgação/Comarca de Campo Belo)
“A pintura na escola onde minha irmã é um presente para mim. Ela não aprovava a vida que eu levava e, com esse trabalho na escola, posso deixar uma coisa boa para ela e mostrar o tanto que eu me importo com ela”, ressalta Matheus de Paula Rodrigues.
O juiz explica que os recuperandos foram selecionados não só pelo bom comportamento, mas principalmente porque eles assimilaram os princípios do método Apac. “A parceria com a escola desenvolve a solidariedade e o respeito e resulta no envolvimento de todos em busca da ressocialização.
Os recuperandos estão realmente engajados, o que vai contribuir de forma decisiva para o retorno ao convívio social, assim que terminarem o cumprimento das suas penas. É um trabalho que, sem dúvida, ajuda a escola e também na autoestima dos internos”, diz.

Corrimãos das passarelas de acesso são lixados por reeducando: trabalho reduz pena (Foto: Divulgação/Comarca Campo Belo)
Atualmente com 79 presos, a Apac funciona em Campo Belo desde 2005 e consiste em um modelo mais humanizado de cumprimento de pena. Apenas 15% dos atendidos pelo sistema voltam ao mundo do crime. Com o trabalho voltado para a comunidade, os internos estão com a agenda cheia em todo o ano de 2019 para a realização de outros projetos como esse.
Fonte: G1/EPTV Sul de Minas e TJMG
