
A morte de Juliana Alves da Silva Santos, de 37 anos, encontrada sem vida no interior de sua residência, no início da madrugada de terça-feira (01/01) tem gerado muitas discussões e comentários, segundo a família, infundados. O fato tem machucado os filhos (ela tinha um casal) e familiares. Juliana, de acordo com os irmãos, não estava morta há dias, como sugerem comentários divulgados em rede social. Ele fez contato com a irmã em São Paulo no domingo (30/12) e na segunda, dia 31 de dezembro (antes de sua morte) ligou para o filho que passava férias na casa irmã na capital paulista, mas eles não viram a ligação realizada na parte da manhã. Além disso, ela enviou mensagem por aplicativo para a filha de 11 anos, que havia sido deixada na casa do avó (pai da costureira), com os tios no dia 30. A vítima era a quarta filha de uma família de 7 irmãos. Juliana também deixou uma carta (os irmãos reconheceram a letra da vítima) com data do dia 30 de dezembro (última vez em que falou com o filho). Por esta cronologia dos contatos, eles acreditam que Juliana tenha falecido na segunda, logo após a ligação (que não foi completada). A família sempre deu amparo à Juliana e fazia contato com ela diariamente.
De acordo com os irmãos, foi o ex-marido que chegou na casa dos pais de Juliana na noite de terça-feira (31/12) e contou que havia entrado na residência (ela já não morava mais com a mulher) e a viu caída, sem sinais vitais, na cama. Então, os irmãos foram à residência de Juliana e a encontraram, conforme relatado pelo ex-companheiro (que mora no fundo da residência). Ao DCB, os irmãos disseram que o corpo da costureira não apresentava decomposição naquele momento, tão pouco mal cheiro. Ela estava sim, com os pés roxos e apresentava um sangramento pelo nariz. O SAMU também foi acionado e constataram o óbito. O médico disse à família que, provavelmente, o falecimento havia apenas algumas horas, de acordo com a aparência do corpo. Eles acionaram à polícia e aguardaram a chegada da perícia. Depois disso, o corpo foi removido pela Funerária responsável pelo serviço e eles aguardaram a perícia realizada na manhã do primeiro dia de 2019.
Campo Belo não tem IML com refrigeração, e a perícia demorou para ser realizada e estes fatores (pelo calor e sem saber a causa morte da vítima) podem ter contribuído para as modificações apresentadas no do corpo da costureira, após ter sido levado para a funerária. Além disso, o laudo inicial do legista indicou morte indeterminada. O exame mais específico sai em 30 dias.
Os comentários de que ela estaria morte há dias, causou revolta nos familiares e eles têm provas suficientes descartando esta possibilidade. “Nós sempre demos atenção à nossa irmã. Fizemos contato um dia antes do corpo dela ser encontrado. Na manhã do dia 31, ela ligou para o filho, por volta das 10 horas, mas eu não vi a ligação. Quando retornei em torno das 13 horas, ela já não atendeu. O corpo dela foi encontrado no fim da noite e início da madrugada. A morte deve ter ocorrido durante o dia. Portanto, os comentários de que tínhamos ignorado a ausência dela, não procedem”, detalhou a irmã de Juliana, que mora em São Paulo, Fabi Pazzim.
Juliana (que lutava contra a depressão) piorou o quadro depois da morte de sua mãe em 2015. A mãe era o porto seguro da família. Segundo os irmãos, a costureira iria trabalhar na noite do dia 30 e na virada (como garçonete) em eventos na cidade. Este foi o motivo por ter deixado a filha de 11 anos na casa do avó; Já o adolescente de 14 anos passava férias na casa da tia em São Paulo.
No domingo, Juliana ligou para o filho e, segundo a irmã, ela estava sorridente e linda! Conversaram um tempo e a mãe pediu ao filho para desejar-lhe feliz ano novo. “Meu sobrinho ainda disse: – mas, mamãe, o ano novo é amanhã! A senhora não vai falar comigo amanhã? questionou o meu sobrinho a sua mãe. Ela respondeu que falaria sim, mas que queria ouvir dele naquele momento bons presságios. Então desligamos a ligação. No dia seguinte (segunda-feira – 31) havia uma ligação não atendida no meu celular e o número era dela. A chamada foi realizada por volta das 10 horas, e eu a retornei às 13 horas, mas ela não atendeu mais. Como sabíamos que ela iria trabalhar no réveillon, pensávamos que ela estaria treinando”, relembrou a irmã.
Ainda segundo a família, por volta das 19 horas da noite de segunda-feira (31/12), a filha de 11 (que estava na casa do avó) e uma outra tia foram à casa de Juliana, pois a menina queria ver a mãe. Chamaram, mas Juliana já não atendeu a porta. Então voltaram pra casa. Neste mesmo dia, porém mais cedo, a menina havia recebido uma mensagem da mãe no celular.
Juliana, conforme relato dos irmãos, também escreveu uma carta de despedida. Nela foi demonstrado o amor aos filhos. “Não sei para onde vou, mas onde estiver, estarei olhando por vocês”, consta o texto da carta encontrado pelo ex-marido e entregue aos irmãos de Juliana.
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