

Um áudio divulgado em aplicativos de celular nesta sexta-feira (30/11) deixou a população de Campo Belo (MG) em pânico. Nele, uma mulher narra um fato, divulga foto de um rapaz e atribuí a ele crimes como: matar e agredir crianças. Segundo a Polícia Civil, a informação relatada no áudio não tem procedência, é Fake News (notícia falsa). O DCB procurou o delegado Alessandro Gambogi para apurar a informação, ele garantiu não ter ocorrência desta natureza registrada na delegacia da comarca. “Por enquanto é Fake News. Este bairro de Campo Belo (citado pela mulher) sequer existe prédio. O caso será investigado pela polícia”, revelou o delegado.
As declarações contidas no áudio são gravíssimas. A pessoa garante que o rapaz tentou matar o filho de uma amiga dela de 7 anos. Ainda segundo o áudio, o rapaz teve um surto psicótico. Ela disse que ele é morador do Bela Vista. “Ele é menor e não foi preso. Foi à delegacia prestou esclarecimento e já está na rua. Ele dá surto. Mexe com sacrifício de criança, centro espírita, maçonaria. Eu o conheço. Ele tentou entrar na casa das pessoas, meio apavorado com a polícia. Ele disse á minha amiga que tentará matar a criança novamente. É semelhante a um ritual. Ele tentou matar o menino com um punhal e disse à mãe da criança que afiou este punhal por três dias”, declarações contidas no áudio da mulher, que rivalizou nos grupos de WhatSap.

Além do áudio, a imagem de um rapaz como sendo o suposto agressor foi divulgada. (Imagens: Redes Sociais)
Fake News
A maior acessibilidade aos meios de comunicação permite que qualquer pessoa produza conteúdo e o divulgue nas redes sociais. Assim, muito do que consumimos de informação não corresponde totalmente à verdade. Tanto é que jornalistas estão se desdobrando para conseguir apurar essas informações “duvidosas”. A situação é tão séria que surgiram agências especializadas só em checagem de fatos – as fact-checking agencies.
Mulher morta após boato em rede social é enterrada em Guarujá, SP

Familiares estenderam faixas em protesto por morte de mulher espancada (Foto: Anna Gabriela Ribeiro / G1)
Centenas de pessoas acompanharam, em 06 de maio de 2014, o enterro de Fabiane Maria de Jesus, que foi espancada e morta no último sábado (03/05/2014) em Guarujá, no litoral de São Paulo, ao ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças que praticava rituais de magia negra. A cerimônia reuniu familiares e amigos que não se conformam com a crueldade do crime.
O enterro foi realizado no cemitério Jardim da Paz, no bairro Morrinhos, onde a vítima morava e foi morta. O marido, Jaílson Alves das Neves, comentou o caso e diz não sentir ódio dos suspeitos. “Vou chorar. Não vou aguentar. Para mim a ficha não caiu. Apesar da brutalidade, não guardo ódio, não guardo esse sentimento ruim no coração. Espero que não aconteça com mais famílias. Essas pessoas que agrediram ela e as que assistiram não tiveram a coragem de salvar uma pessoa inocente, não deram nem tempo de defesa para minha esposa. Quero que eles reflitam e que isso não aconteça nunca com a família deles”, explica.
O marido espera que os envolvidos sejam punidos. “Que prendam os acusados. Que esse site que postou essa mentira não faça mais essas coisas. Minha filha não teve condições de vir ao enterro. Ela está abalada e quer lembrar apenas do sorriso da mãe”, comenta.
Um novo vídeo sobre o caso foi divulgado na manhã desta terça-feira (6). Nas imagens, registradas por um cinegrafista amador, a dona de casa aparece tentando pronunciar algumas palavras, na tentativa de impedir que as agressões continuem. Um homem aparece interrogando Fabiane no vídeo. “Nós temos conhecimentos desse vídeo, que foi levado para o delegado, e está anexado nas investigações. Não conseguimos identificar o que ela fala, porque a Fabiane estava muito ferida. Foi uma barbaridade o que aconteceu”, diz o advogado da família da vítima, Airton Sinto.
Internautas revoltados com página
O administrador da página do Facebook responsável por postar o retrato falado de uma mulher suspeita de sequestrar crianças no litoral de São Paulo será ouvido nesta terça-feira (6) pela Polícia Civil. Após a publicação da foto na página ‘Guarujá Alerta’, alguns moradores de uma comunidade do município agrediram a dona de casa. Dezenas de usuários da rede social criticaram duramente o administrador da página e um deles chegou a dizer que a página seria tão culpada quanto os agressores.
