Campo Belo: Família acredita que idoso tenha sido vítima de negligência médica; O caso foi denunciado á justiça

A família de Nelson Messias Alvarenga acredita que o paciente tenha sido vítima de “negligência médica e omissão” no P.A. da Santa Casa e também na Nefroclínica (instituições que Nelson foi avaliado antes de ser levado pra UPA). O paciente faleceu na UTI da Santa Casa de Campo Belo (MG), por infecção generalizada, após quatro dias de internação. Segundo a família, Nelson teve um diagnóstico tardio de apendicite. Ela estava supurada e o mesmo não resistiu à recuperação do procedimento cirúrgico. O caso foi denunciado à justiça pelo filho, o militar da reserva, Adilson Messias de Alvarenga. A representação é contra a Santa Casa e a Nefroclínica.

De acordo com ele, na noite do dia 7 de novembro o pai sentiu forte dor abdominal. A família acionou do Serviço Móvel de Urgência e Emergência. Pelo protocolo do Samu, ele foi encaminhado para o P.A. da Santa Casa, considerando que o mesmo era um paciente da hemodiálise, e tinha problema renal crônico. “Ficou três dias em observação e no sábado pela manhã foi encaminhado a uma médica da hemodiálise,” relatou Adilson.

Ele acredita que faltou empenho nos primeiros atendimentos. “Se tivessem realizado um exame de imagem mais preciso, teriam diagnosticado a apendicite”.

Ainda nos primeiros atendimentos, mesmo com dor e leucócitos a 17. 0000, a médica da nefro concedeu alta ao paciente, de acordo com a família. “A médica não aprofundou nos exames. No primeiro atendimento da Santa Casa, segundo informações, foi feita uma radiografia. Mas mesmo sendo solicitada por nós – familiares, não nos foi disponibilizada. Dentro deste contexto, pelo que apuramos, foi solicitada por um médico do PA uma ultrasonografia que não foi realizada. O diagnostico do que realmente era nestes três dias antes da alta médica não foi conclusivo e o quadro dele piorou”, frisou Adilson.
Ainda de acordo com ele, o pai foi tratado em casa com analgésico após a alta. “Sentindo dores brandas no sábado, minha mãe cuidava dele com analgésico. No domingo a dor voltou com mais intensidade e por volta das 12 horas (meio dia), ele foi conduzido por familiares à UPA”, pontuou.

A cirurgia convencional (aberta) pode ser realizada hoje em dia com pequenas incisões (corte) de aproximadamente 2 a 5 cm no canto inferior direito do abdome. Imagem Ilustrativa – Internet

Somente na UPA, com a avaliação do dr. Harley Lasmar, a família teve um diagnóstico preciso. Ele foi encaminhado á sala vermelha da Unidade e ao examinar o abdômen do paciente, dr. Harley solicitou um exame de imagem, indicando a apendicite – confirmada com o resultado do mesmo – realizado às 15h57 de domingo (10/11). Ele então avisou à equipe de cirurgião da Unidade sobre a gravidade do caso. “O médico intensivista solicitou imediatamente uma tomografia e a sua suspeita foi constatada, apendicite e estava supurada. A cirurgia foi realizada à noite no bloco cirúrgico da Santa Casa. Depois do procedimento, devido ao excesso de pus, ele ficou na UTI por quatro dias e não resistiu”, relatou.

A família acredita em negligência pela falta de diagnostico precoce. “O caso foi denunciado no Ministério Público da Comarca para que as providências no âmbito judicial sejam tomadas. Apuradas as negligências e omissões. Meu pai entrou no hospital sentindo dores, poderiam ter sido aprofundada a situação, requerida exames de imagens, tomografia precoce e assim não o fizeram. Sabendo da real gravidade, pelo fato do paciente ser transplantado, e deveria ter cuidados especiais, mas o que vimos foi uma negligência, descuido. Isso acabou com o nosso natal”, indignou-se Alvarenga.

A família, segundo ele, tornou à situação pública para que outras pessoas não sofram ou vivam o mesmo caso. “A finalidade desta publicação é para que pessoas, principalmente as que utilizam o SUS, não passem por esta negligência. Os médicos que prestam serviço pelo sistema, que o façam com amor à vida e ao próximo. Que eles entendam que não estarão matando apenas uma pessoa e sim, uma família inteira”, desabafou o militar reformado.

Outro lado

A produção do site procurou a direção da Santa Casa, responsável pelo Pronto Atendimento. Segundo o provedor, Júnior Furtado, o paciente deu entrada no hospital no dia 07, por volta das 20h41. Foram realizados exames laboratoriais e raio x. Ele permaneceu observação.
No dia 8 de novembro de 2019 foi avaliado pelo nefrologista, por ser um paciente renal. O especialista suspendeu a hemodiálise (o paciente apresentava hipertensão). No relatório da evolução médica consta que o mesmo suspeitou de diverticulite e solicitou novos exames no dia seguinte, dia 09.
No dia indicado, segundo a documentação da Santa Casa, repetiu-se o hemograma (que apresentou um valor alterado (17.000), quando nos primeiros exames este número era 1.200. Ele então teria sido avaliado por outra médica nefrologista e encaminharam o paciente para a clínica de nefrologia.

De acordo com a direção da Santa Casa, ele só voltou pra instituição para a realização do procedimento cirúrgico.
A produção também tentou contato com a Clínica de Nefrologia. Na quarta-feira (04/12) o responsável não teve agenda para conversar com a reportagem. Disse que falaria conosco nesta quinta.

Retornamos o contato com a secretária dele pela manhã do dia indicado, fomos informados que ele estava atendendo os pacientes internados e iria nos ligar. Por volta das 17h43 ligamos para a secretária em uma nova tentativa de falar com o médico, mas a ligação foi direcionada para a caixa postal.

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